Zulu time

Desde Março de 2004, quando desisti à última hora da viagem que estou a fazer agora, que tenho um planisfério colado numa placa de esferovite onde marquei todas as ondas que queria conhecer. A rota da viagem era assim determinada, unindo esses pontos e considerando eventuais desvios e travessias para visitar lugares e ícones históricos. Durante os três anos que se seguiram, enquanto vivia no mundo real à espera da oportunidade e da melhor altura para concretizar este projecto, pegava muitas vezes no mapa e, sentado no sofá, começava a viajar em sonhos.

Há muitos outros sítios onde quero ir e outros tantos que quero repetir mas, de todos esses alfinetes que marcam a viagem originalmente idealizada, há um único que não ainda posso pôr a verde, que assinala uma pequena vila na África do Sul.

Quando comprei o bilhete de Volta ao Mundo, tive que deixar o continente Africano de fora. Por um lado, por razões de tempo e eficiência de itinerário mas, principalmente, por razões orçamentais, uma vez que isso implicaria um aumento muito significativo no preço total das passagens.

Da Tailândia à África do Sul, com um saltinho em Londres

Ligo a Internet e abro seis sites ao mesmo tempo. Dois de bancos e quatro de companhias aéreas. Revejo ao pormenor as minhas contas bancárias e faço cálculos detalhados aos saldos, ao comprometido nos cartões de crédito e ao que ainda vou gastar nos próximos dias na Tailândia. Tenho poupado e, com excepção da Costa Rica (por causa do assalto) e da Austrália, tenho estado sempre bem abaixo dos 50 Euros diários orçamentados. O valor pago pelo seguro de viagem e as contribuições dos leitores e amigos também foram fundamentais para evitar a bancarrota (“bankrupt”, com dizia na Indonésia para não pagar parque ou para ter uma desculpa para não comprar t-shirts às velhotas de Uluwatu). “Dá… tem que dar! Pode ser à justa, mas vai dar.” – discuto comigo próprio dentro da cabeça.

Mango Airlines, África do Sul

Confirmo, em tempo real, os horários e os valores das tarifas para tentar escolher a melhor opção mas, com apenas três semanas de antecedência e com data de regresso em cima do Natal, já há muito poucas alternativas viáveis. Na Singapore Airlines, já só há lugares de primeira classe. Na Emirates, via Dubai, a mesma coisa. Na prática, restam-me duas opções para voar de Banguecoque para Joanesburgo: com a Ethiad, via Abu Dabi ou, não deitando fora o segmento já incluído e pago na bilhete RTW da Qantas, voar para Londres e daí apanhar um voo com a South African Airways. A segunda opção fica 200 Euros mais barata e, apesar de ser muito mais longe e ineficiente, coloca-me em Joanesburgo no mesmo dia, praticamente à mesma hora. Ora, está decidido então. Prefiro aguentar no corpo esses 200 Euros e guardá-los para outra coisa qualquer!

Pouca coisa é capaz de fazer parar um sonho

Esta é a pior época de surf na África do Sul, particularmente em Jefrreys Bay, a tal vilazinha marcada no meu mapa. Para lá chegar, tenho que dar meia volta ao mundo para um lado e mais meia para baixo, passando duas noites num avião e um dia inteiro no frio de Londres. O meu orçamento está no limite, pelo que surpresas desagradáveis terão que ser cobertas pela minha conta de poupança, que prometi a mim mesmo não mexer. O meu joelho esquerdo, que cedeu sem justificação aparente durante uma noite mal dormida no aeroporto de Singapura, continua a estalar e a doer quando é solicitado.

Mas esta alteração de rota acrescenta o continente que faltava a esta volta ao mundo, tornando-a mais rica e dando-me oportunidade de conhecer mais um novo universo tão diferente do habitual que, para primeira impressão, num fim de tarde chuvoso e escuro no centro de Durban, já me está a dar suores frios!

Pouca coisa é capaz de parar um sonho.. :)

   
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