Uma ONG para ti, outra para mim

Existem muitas ONGs por esse mundo fora e existe uma enorme quantidade de pessoas, animais e espécies que precisam ou dependem dessas ONGs. Contudo, enquanto voluntária nem todas as ONGs são para mim. Seja porque o tema não é o que mais me interessa, seja porque as condições não são as melhores, seja porque a região é perigosa, enfim as possibilidades são ínfimas.

A minha estadia na Tailândia surge por causa da minha segunda experiência de voluntariado. A primeira foi na Letónia, num centro de juventude com mães adolescentes e outros jovens isolados. Há muito que queria trabalhar com refugiados, considero-os um grupo de grande risco. Por uma razão ou outra tiveram de fugir das suas casas, talvez apenas com a roupa que tinham no corpo, talvez com uma sacola às costas. E, neste mundo moderno preocupado com papéis, documentos, números, códigos, milhões etc. não têm documentos, não têm identidade, é como se não existissem. Não ter um bilhete de identidade tem implicações sérias como, por exemplo, poder ser deportado para um país em guerra ou não poder ir ao hospital e morrer de tubercolose quando há tratamento à mão.

Foi com um espírito aberto que cheguei à Tailândia e à ONG da minha escolha. Conforme as semanas passavam foi reparando em coisas com as quais não concordava. Apesar de Sangkla Buri ser uma vila extremamente pobre, onde pessoas recolhem legumes do chão para comer, a escola de Baan Unrak cobra entre 3000 a 4000 BHT por aluno, que não é nada para um europeu mas é um salário local multiplicado algumas vezes. A escola não aceita alunos muçulmanos, outra insanidade. No alojamento, rapazes e raparigas (estamos a falar de voluntários, de adultos com mais de 18 anos) são separados ao ponto de serem expulsos se receberem visitas à noite – quer sejam amigos ou namorados. Apesar de praticarem vegetarianismo e amor aos animais, discutiram abertamente abandonar cães num campo distante. As minhas aulas eram controladas e recebia sempre indicações de como as conduzir. Enfim, a minha lista poderia continuar. Respeito o trabalho que fizeram e tenho perfeita consciência que ajudam várias crianças e famílias mas não podia continuar a trabalhar nesta ONG.

A semana em Ko Lanta com a ONG Children Of The Forest ajudou-me a conhecer melhor um projecto que tinha apenas visitado e a interagir com alguns funcionários e refugiados. A Children of the forest oferece escola gratuita, independentemente da quantidade de alunos que apareçam. Quem quer estudar e aprender, quer tenha dinheiro ou não, não será recusado. Oferecem, igualmente, alimentação e livros de forma gratuita, assim como transporte para quem vive demasiado longe para caminhar (andar 25 ou 30 km numa só ida é demasiado para um adulto quanto mais uma criança). O resultado é impressionante: educação gratuita para mais de 700 crianças e jovens (e o número continua a subir), alojamento para cerca de 300, salas algumas vezes a rebentar pelas costuras. Muita pobreza mas muitos sorrisos. As condições são mais complicadas do que na outra ONG, o acesso ao projecto durante a monção é tudo menos auspicioso, não há dinheiro para uniformes para todos, logo algumas crianças chegam com uma t-shirt e cuecas, nada mais. Todavia há muitos mais sorrisos, gargalhadas e bem-estar. Há pouco inglês para comunicar mas muitos abraços, beijos, palmadas no rabo. Ninguém deveria trabalhar numa ONG que não oferece palmadas no rabo.

 
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