Um ano de voluntariado na Tailândia

Quando era miúda queria ser como o Macgyver, queria viajar pelo mundo e ter ideias brilhantes só a partir de um isqueiro. Queria viajar com uma mochila, uma lanterna, um livro e um par de binóculos.

Na minha ingenuidade infantil não havia espaco para malas perdidas na Rússia, preços mal negociados na Índia, ser seguida por um tarado na Índia, por dois bêbados na Rússia, por um maluco na França…, ficar sozinha no meio do nada no sul da Lituânia, atravessar um quintal de fato de banho com apenas menos trinta graus, conduzir num lago congelado na Estónia, ir parar ao hospital após deixar de sentir os bracos e as pernas na Letónia, andar de bicicleta dentro de uma gruta nos Países Baixos… Também não me tinha ocorrido pedir vistos para entrar num país, seguros de vida, ter de contar os tostões e claro, os seguranças dos aeroportos que parecem apenas revistar mochilas quando estamos atrasados.

Depois de viver sete meses na Letónia, a fazer o Serviço de Voluntariado Europeu (os curiosos podem ir visitar as catacumbas do meu blog sobre a minha vida na Letónia e na Bélgica: www.Babsynofimdomundo.blogspot.com) achei que em miúda poderia ter-me informado muito melhor. Passei então os últimos dois anos na Bélgica a poupar, a viajar, e a ponderar a minha próxima aventura. Queria viajar, sim. Mas queria mais. Ter vários carimbos no passaporte não me satisfaz, apesar de ser muito giro folhear de vez em quando, quase que posso dizer que necessito de contacto com gente local, de aprender, de conversar, de rir. E claro, de ter aventuras. Normalmente as coisas acontecem, não procuro sarilhos ou aventuras mas nitidamente tenho um íman.

Depois de sofrer o primeiro choque cultural aprendi muito sobre mim mesma, e uma das coisas que aprendi é que viver noutros paises, andar como uma barata tonta a tentar perceber coisas simples para os padrões locais e finalmente integrar-me é muito mais divertido.

O ideal seria viver um ano ou dois em cada continente (exceptuando a Antártida, não sou grande fã de neve), viajando pelo maior número possível de países. Quem sabe um dia.

E eis que segunda-feira começa a minha nova aventura: um ano a trabalhar numa escola e orfanato tailandês que acolhe refugiados birmaneses. Vou dar aulas de inglês e de desporto e bem, fazer um pouco de tudo, já se sabe que nestes locais o inesperado é a regra geral. Vou tentar aprender tailandês e a cultura local e conhecer os países vizinhos conforme o trabalho de voluntariado e os miúdos me deixarem. Vou com dinheiro contado o que implicará abdicar de certos luxos, negociar preços (detesto) e muitas horas de autocarro, logo eu que após ir para a Rússia de autocarro jurei que nunca mais.

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5 comentários em “Um ano de voluntariado na Tailândia”

  1. Boa noite,
    Através de que programa conseguiu o voluntariado na Tailândia? Queria muito fazer algo do género
    Mto obrigada!

    Responder

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