Down under

Um português com um passaporte temporário chega à Austrália vindo da América do Sul. Ou melhor, vamos ser específicos: um português, com um passaporte temporário emitido e escrito à mão na Colômbia, que faria vergonha a qualquer falsificador de terceira categoria, chega à Austrália vindo da América do Sul, depois de vinte horas de viagem, com barba de cinco dias e ainda meio drogado pelos comprimidos para dormir.

O rapaz é uma pessoa honesta e minimamente séria, por isso responde com objectividade às perguntas idiotas do papelinho da Emigração. Não traz armas, drogas, nem mais de 10.000 dólares em dinheiro. Endereço na Austrália: “hotéis”; Contacto na Austrália: “nenhum”; Profissão actual: “nenhuma”. Pronto, está o caldo entornado!

– “Hotéis” não é suficiente. Preciso de uma morada concreta e um número de contacto.

Gosto pouco que me falem no tom que aquele imbecil o fez e, a maior parte das vezes, respondo na mesma moeda.

– Amigo, se for mais fácil para si, eu meto aí o endereço e o telefone de um hotel qualquer de 5 estrelas no centro da cidade. Quantos turistas vocês recebem por ano que têm um endereço ou um número de contacto no país?

– Pois… mas assim vou ter que o mandar falar com os oficiais de emigração.

– Então mande! Já percebi que você não vai ser grande ajuda. Só está aqui para pôr carimbos.

E pronto. A partir deste momento e com este último comentário sabia que a coisa agora ia apertar e demorar um bocado.

O visto electrónico de entrada também não estava a bater muito certo. Apesar de me ter lembrado de pedir um novo visto associado ao novo passaporte, um pequeno erro do agente de viagem fez com que viesse com o nome “Parente” quando, na verdade, o meu último nome é “Pereira”. “Pinto Pereira” para ser exacto, mas isso então ia-lhes dar a volta completa à cabeça. No passaporte, claro, estão todos os nomes de família… e tanto nome faz muita confusão a esta gente.

Depois de recolher a minha bagagem, sobre o olhar atento do tal oficial de Emigração, fui encaminhado para um corredor e uma divisão à parte. “Fixe, não há fila” – pensei ainda ingenuamente.

– Compreendeu todas as perguntas deste papel de Emigração?
– Sim.
– Foi você mesmo que o preencheu? Esta é a sua letra e a sua assinatura?
– Sim.
– Foi você que fez as suas malas?
– Sim.
– Tudo o que está lá dentro é seu ou está à sua guarda?

Alto lá! Não me apanhas nessa… Lembrei-me imediatamente daquele filme da americana apanhada na Tailândia com droga que alguém lhe meteu na mochila. Respondi, agora no mesmo tom grave e formal com que as perguntas me eram colocadas.

– Que eu tenha conhecimento, sim.
– Alguém mexeu na sua bagagem depois de a ter fechado? – insistiu.
– Que eu tenha conhecimento, não. Mas com tantas perguntas começo a ter dúvidas.

O interrogatório e a revista que se seguiram foram bastante exaustivos. Primeiro com um, depois com outro. As mesmas perguntas, subtilmente disfarçadas. Algumas importantes, outra nem tanto… suponho que para ver se me apanhavam em contradições. O que vale é que eu sei mentir bem e a droga já tinha sido desmarcada na carteira da velhinha que ia sentada ao meu lado no avião! ;)

– OK, estou satisfeito. Quero apenas reforçar, uma vez que neste momento não tem emprego, que o seu visto não lhe permite trabalhar. Welcome to Australia!

A Austrália é um país onde tudo se faz “by-the-book”. As regras são muitas e estão constantemente a serem lembradas, com sinais e letreiros por todo o lado. Não se bebe na rua, é preciso mostrar identificação e não se fuma nos bares, não se ultrapassa o limite de velocidade, as pessoas são muito pouco tolerantes para quem não cumpre à risca, mesmo que seja por desconhecimento ou engano… e os chavalos não roubam chocolates no supermercado!

Não gosto muito de generalizar… mas já viram como se comportam muitos Australianos (e os Americanos, já agora) na Ásia ou na América Central? É que, como não podem fazer nada em casa, vão chafurdar para a dos outros.

É só este pequeno detalhe que irrita o meu espírito latino aqui down under. E, claro, o preço de tudo! Ainda assim, tenho conseguido dar umas “tetadas” à rede wireless de alguém e nos quiosques Internet e ando a conduzir com uma carta de condução caducada.

Mas xiiiiuu… não vão “eles” estarem também a controlar o meu computador! ;)

 

Passaporte

 

 

   
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