Dar aulas na Tailândia

Não é tão simples como possa parecer. Não basta planear umas aulas e tal. Há que ter em conta que a maioria não fala inglês ou tem um nível básico e eu não tenho tailandês, ou seja, não há uma língua em comum. Com crianças pequenas ainda vá, os gestos, a assistente traduz e devagarinho vamos avançando. Agora com adolescentes… Adolescentes que sobreviveram a muita coisa, que brigam entre si, que gritam ou pura e simplesmente estão mentalmente noutro lado é mais complicado. A minha turma da manhã é adorável e muito fácil de gerir. É claramente a minha melhor turma também. Há três ou quatro que conseguem ter uma conversa comigo em inglês, outros que têm de ir ver como escrevem o nome deles em inglês. A segunda classe aborrece-se muito facilmente. E não são discretos, fazem-me logo saber que preferem fazer outra coisa. A turma dos adolescentes é uma dor de cabeça, nem que seja porque falam tão alto e gritam o tempo todo. Imaginem-me a separar uma briga com três mini-psicopatas a insultarem-se em birmanês… Tenho esperança que ao longo destas semanas acalmem ou descubram os meus limites. Ou então eu ficarei imune e deixo que se esfolem vivos, ainda estou a decidir. Uma coisa a ter em conta é que muitos acabaram de sair da Birmânia onde foram perseguidos pelo exército, um dos meus alunos perdeu as pernas e um braço ao pisar uma mina. Outro o braço direito e a maioria dos dedos da outra mão noutras circunstâncias que não deveriam ocorrer.

Quase todos os meus alunos são birmaneses assim como a maioria dos funcionários da escola, algumas mães trabalham na cozinha, há alguns professores da Birmânia (e de diferentes tribos) no meio de funcionários tailandeses. Eu estou seriamente confusa. Sempre que acho que sei identificar um tailandês descubro mais uma tribo birmanesa ou vice versa. É muito complicado  integrarmo-nos na cultura local quando não sabemos identificá-la a cem por cento. Por exemplo, a questão da cabeça ser sagrada. Tenho notado que os birmaneses são mais descontraídos nesse aspecto.

Como em qualquer lado algumas pessoas são super abertas e de uma simpatia desmesurada enquanto que outras são mais reservadas. Por duas vezes um rapaz local deu-me boleia até casa recusando qualquer pagamento. O primeiro viu-me a subir uma colina debaixo de um sol escaldante mal a minha água tinha acabado e o outro viu-me a regressar a casa no escuro. Uma colega explicou-me depois que a hospitalidade é uma parte muito importante da cultura Thai.

Uma diferença palpável entre “aqui e aí” é a tolerância tailandesa e o puro relax. Um exemplo bem marcante são as três casas de banho: para rapazes, para raparigas, para “ladyboys” ou seja, para trangenders. Na escola há pelo menos dois “ladyboys” e não há piadas, bocas ou troça. A professora a quem perguntei pelo assunto nem tinha prestado atenção. Só me disse o nome e que era bom aluno. Quem disse que eu estou no segundo mundo?

Agora tenho de decidir se vou alugar uma bicicleta por 20 Bahts (0,45 Euros), dar um mergulho no lago ou descubrir se sei conduzir uma scooter por 50 Bahts (1,1 Euros). Adoro os meus fins de semana.

 
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1 comentário em “Dar aulas na Tailândia”

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