Kit de Viagem

hostel em el sunzal el salvador

Ruta CA-2

O dono da agência Ruta Maya dá-me uma má noticia. Sim, a van para as praias de El Salvador vai sair, mas um grupo de estrangeiras alugou-a em exclusivo.

– Cabe mais gente, mas elas não querem. Pagaram os 12 lugares!

A Ruta Maya é a única agência (que eu tenha descoberto) que faz um shutlle, uma vez por semana, entre Antigua Guatemala e as praias de La Libertad, em El Salvador, precisamente o trajecto eu preciso fazer. A alternativa é ir até Guatemala City, apanhar um autocarro para San Salvador e daí um transporte para as praias, o que é mais cansativo, demora mais tempo e, quase de certeza, é mais perigoso.

Insisto. Pergunto-lhe se não pode chamar as raparigas à agência para tentar convencê-las a levarem-me. “Afinal sou simpático e bem parecido, pode-lhes agradar a companhia”. Rimo-nos. Mas eu, por dentro, estou furioso. No último minuto, ele lembra-se de outra hipótese. Parece que há um “chavo” salvadorenho que, às vezes, também faz este percurso… mas ele não tem o contacto dele.

– Espera lá! Uma das miúdas está alojada na casa onde ele mora. Aqui está o endereço, pergunta pelo Martin.

“2ª Avenida Sur, 34”. Lá fui eu. Encontro o Martin mal entro no pequeno jardim que dá acesso à casa. Está sentado numa mesa, aparentemente a trabalhar, com um rapaz mais novo, loiro de olhos azuis. Venho depois a saber que Lars é sueco e está na Guatemala a montar com Martin uma agência de viagens focada em intercâmbios de estudantes entre os dois países. Mais tarde hei-de acompanhá-los à gráfica para ir buscar os recém-criados cartões de visita.

Na verdade, já estavam à minha espera, pois “alguém tinha avisado que eu iria aparecer”. E, pelos vistos, venho mesmo a calhar, pois só há mais quatro pessoas para fazer a viagem, mesmo à justa para fazer o break-even do negócio.

– Estava a rezar para que aparecesse mais alguém! – diz-me enquanto me mostra no computador algumas fotos de ondas salvadorenhas.

Eu sou a salvação do Martin, ele é a minha. E isso é suficiente para se criar uma boa relação. Acertamos todos os detalhes da viagem e a forma de pagamento. Como extra, ainda recebo algumas dicas e contactos de hotéis, taxistas e empresas de autocarros que viajam para a Nicarágua e Costa Rica, os meus próximos destinos.

Saímos bem cedo, às 5:00 da manhã. Na van, além de mim e do condutor, vão dois australianos, uma americana e uma irlandesa. Eu viajo no lugar da frente, ao lado do condutor, o mais cómodo e o melhor para apreciar a paisagem que é fantástica. A viagem e a passagem da fronteira são muito tranquilas, sem qualquer sobressalto nem demora.

Quando começamos a percorrer a estrada costeira de El Salvador começo a “ficar em pulgas”. Os points de direita sucedem-se uns atrás dos outros e consigo facilmente identificar km59 e km61, duas ondas que habitam no meu imaginário há algum tempo. Que esperar de um país cujo nome das ondas é apenas o número do quilómetro de estrada onde se localizam?

O nosso condutor não sabe muito bem onde me deve deixar. Eu muito menos. Tenho apenas as indicações do Martin e uma dica dada à pressa pelo Cadilhe, por email. “Tenta ficar em Zunzal, alguns kms depois de La Libertad, muito mais consistente e bom ambiente, muitos hotéis para surfistas e mais seguro. Só se o mar subir é que vale a pena ir surfar a Libertad.”

Perguntamos. Indicam-nos um pequeno caminho de terra e pedras que parece não ir dar a lado nenhum. Mais vai. Vejo casas pintadas com ondas, um restaurante e letreiros a dizer “surf accommodation” e “rooms for rent”. E, mesmo à minha frente, um pico de direita a rolar perfeito desde muito lá de fora.

– Fico aqui, obrigado.

 

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