Kit de Viagem

Pan-american sunset a ouvir Dire Straits

Taxi colectivo PeruVoltamos a Pisco e eu fui ao hotel para pegar na minha mochila para ir para Nazca. No hotel conheci Giovanni Moretti, um italiano que há 15 anos trocou a sua terra natal para vir ser guia de turistas no Peru, mais propriamente nas ilhas que eu tinha acabado de visitar. Foi o primeiro guia das Ilhas Ballestas e, embora não tendo enriquecido, não se arrepende nada da sua opção.

Estivemos na conversa bastante tempo e ele indicou-me a melhor maneira de chegar a Nazca sem recorrer a agências de viagens. Era muito fácil. De Pisco a Ica de camioneta regular, de Ica a Nazca num colectivo que fazia o trajecto em 2 horas, metade do tempo do autocarro regular. Fiquei sem perceber o que era o colectivo mas também não me preocupei muito. Giovanni também me deu o contacto de um amigo de uma agência de Nazca para comprar um tour de avião para ver as linhas de Nazca. Escreveu num papel a recomendação e disse-me para quando chegasse ir ao encontro de Marco Luque na empresa Tour Peru mesmo na Plaza de Armas. Despedi-me com um abraço e parti rumo a Nazca. Dois quarteirões à frente encontrei a estação de autocarros. Apanhei o autocarro e numa hora cheguei a Ica. O autocarro ia cheio e com umas senhoras a vender batatas fritas e outras tantas coisas lá dentro. Começamos a viagem ao som de um bolero cantado por uma velhinha que no final pediu dinheiro por questões de saúde.

Fui a viagem toda junto à janela. A janela não abria e ao meu lado ia um senhor com, pelo menos, 90 anos bem vividos. Apoiado na sua bengala, demonstrava fisicamente uma grande experiência e sabedoria. As mãos, queimadas e gastas pelo tempo e pelo árduo trabalho da terra, demonstravam rugas e feridas insanáveis. Vestia um fato castanho impecável que contrastava com a roupa de todos os outros peruanos. Tinha uma grande testa, uns olhos muito profundos e quase sem queixo. Não falei com ele durante toda a viagem mas a sua figura impressionou-me. Quando chegámos, ajudei-o a levantar-se e a sair da camioneta. Agradeceu-me com um sorriso que me pareceu sincero. Peguei na minha mochila e dezenas de homens começaram a oferecer táxis. Giovanni tinha dito para ir a pé. O local onde se apanhava o colectivo era já ali. Ao chegar a um cruzamento perguntei a um polícia que me indicou o local do colectivo apontando para um carro grande e verde meio dentro, meio fora de uma garagem. Dirigi-me lá e só então percebi que o colectivo são uns carros americanos, a cair de podres, largos e compridos, que coleccionam clientes durante algum tempo e, quando o carro está cheio, partem rumo ao destino. Iria ser uma viagem alucinante. Num carro de filme a descer a pan-americana.

Enquanto não chegavam mais turistas tirei umas fotos e resolvi ir tomar qualquer coisa. Num letreiro de uma porta dizia “Medico Naturalista”. Como me sentia com um pouco de asma, não hesitei em entrar e pedir para testar os medicamentos da casa. Deram-me um chá para asmáticos que, segundo disseram, dilatava os brônquios e fazia bem a asma. Comecei a tomar mas fiquei por meio copo. Por muito bem que aquilo fizesse não era capaz de beber aquela “mistela” com um sabor assustador. Ainda me tentei obrigar a beber um pouco mais mas não fui capaz. Saí e fotografei a loja do lado que se chamava “Farmácia Virgen de Fatima”. Interessante, sim senhor!

Voltei ao local onde estava o famoso colectivo e partimos rumo a Nazca. Faltavam 3 clientes, que fomos buscar a casa, e, em poucos minutos, estávamos no meio do deserto da Pan-Americana a ver o sol a pôr-se no mar. Parámos para abastecer e, com a pressa, foi a primeira vez que eu vi alguém abastecer com o carro ligado ao lado de uma placa que dizia proibido fumar. Nada mais irónico. Lindo! São estas as coisas boas para contar.

Ficou noite e ouvia, no meu leitor, Dire Straits – Twisting by the Pool. Fabuloso! É uma das imagens que nunca mais vou esquecer. Chegámos a Nazca e passava um pouco das 20h. O condutor deixou-me à porta do Hotel Nazca, tal como lhe tinha pedido. Arranjei um quarto, mais uma vez por 10 soles, e saí para jantar. Na rua, uma senhora assava umas espetadas. Sentei-me numa pequena mesa onde tinha como companhia apenas uma pequena criança (filho da assadora de espetadas) com quem troquei simpáticos e cúmplices sorrisos. Cheguei mesmo a fazer umas macacadas com as mãos e a cara. Mais ou menos do tipo das que os pais fazem quando os filhos são pequeninos e que põe as crianças de tal forma perplexas que eu acho que elas devem estar a pensar “Que figura ridícula que estes adultos fazem!”. Comi a espetada mas soube-me a pouco, por isso fui comer uma sopinha noutro tasco, noutra esquina qualquer. Deitei-me por voltas das 22h, sem hora marcada para acordar. Acordei no dia seguinte pelas 8h. Queria, ainda de manhã, marcar a minha viagem para essa noite para Arequipa e um voo durante a tarde para fotografar as linhas de Nazca. Depois de um excelente pequeno-almoço, com ovos mexidos com fiambre e tudo, saí rumo à Tour Peru para falar com o meu futuro amigo Marco Luque.

 
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