Kit de Viagem

sofia valente surf

O meu primeiro passo

Com todas as condições inerentes ao curso de Arquitectura e todo o esforço que é necessário para que uma pessoa não se desvie de alguns sonhos-projectos, fui levando estes últimos quatro anos de forma mais ou menos equilibrada, dividida (ou multiplicada!) entre noitadas de trabalho e dias inteiros a surfar, entre conversas com pessoas que viajam tanto como eu quero um dia viajar, e trabalhos de grupo exaustivos.

Seria injusto dizer que os passei mal. Tive sessões de surf épicas nas praias de Portugal com pessoas que se tornaram verdadeiros cúmplices daquilo que eu mais gosto de fazer: surfar. Conheci lugares e pessoas inesquecíveis à custa do surf, algo que hoje faz parte da minha curta história e se converteu em mais que uma actividade desportiva, num amor duradouro, numa forma obsessiva de buscar ondas das revistas, de querer sair desesperada das aulas para ir para a praia. O surf hoje define-me a mim e ao meu conceito pessoal de felicidade e fundiu-se com uma sua paixão gémea: a de viajar.

Desde de que comecei a fazer surf nutri uma vontade gigante de viajar, a que as revistas da SurfPortugal, as crónicas e os livros do Gonçalo Cadilhe e os relatos dos viajantes que conheci vieram juntar mais “gana”. Serviram para me mobilizar e para aumentar muito o desejo de ver o que há lá fora que, assumo hoje, comporta um grau muito grande de ilusão sobre o desconhecido.

Mas foi também ao viajar que desfiz algumas ilusões. Vou aprendendo como se viaja em largos períodos de tempo, que ir sozinho não é sinónimo de se sentir sozinho e até pode ser uma porta aberta a experiências que não se tem em grupos ou excursões. Vou observando onde e quando se deve parar, quando se deve voltar, a olhar para os lugares, a dar-me o devido tempo para cada um deles.

E assim, ao longo destes anos de universidade, fui “magicando” este ano de viagem, de aprendizagem e de conhecimento de realidades diferentes da minha. Através de um programa de intercâmbio vi a minha oportunidade de viajar durante um ano pela América do Sul, onde sabia que ia encontrar ondas incríveis e onde queria, mais que tudo, queria ir surfar no Chile e no Peru.

Com todos os conselhos que fui ouvindo de pessoas como a Maria João Frade ou o Gonçalo Cadilhe, entre outras, fui aprendendo e apercebendo-me de que não é tão difícil uma pessoa viajar sozinha, de que ser mulher nem sempre é um “contra” e pode até funcionar como “pro”, de que nem tudo é tão perigoso e na maioria das vezes é bem mais simples do que parece. Acabei por, ao longo destes anos, passar um pouco dessa mensagem aos meus Pais, que de certa forma, foram cambiando a sua mentalidade. Correspondendo ou não aos protótipos do “filho” ideal, fui sempre seguindo com uma certa convicção no meu percurso até atingir um objectivo. Esta é a forma mais simpática de dizer “moí bastante a cabeça ao meu Pai…”! Mas valeu a pena que tenha sido assim, porque há uma ordem lógica, difícil de explicar, para a sucessão de experiências que se vão passando na vida.

“O mais difícil é o primeiro passo” disse-me o Gonçalo Cadilhe, como tinha dito ao André Parente… pensei que realmente é na hora de partir que chegam as saudades antecipadas, os medos inesperados. Pensei se não me estava a aventurar demasiado e o facto de ser rapariga intimidou-me um pouco mais, quando antes nunca o tinha visto como uma limitação significativa. Agora, vejo tudo isso como algo que tinha que passar para sair de uma certa ilusão e ficção sobre o que é viajar sozinho. É realmente um passo, uma etapa que se tem de passar, que todos deveríamos passar. Lembro-me da primeira vez que estendi a mão para pedir boleia: comecei a rir sozinha no meio da estrada!

Para aqueles que, há alguns anos, me ouvem falar do mar, das ondas, do surf, das pranchas, das viagens, das praias, do sol, da surfada com tempestade e da bonança… aqui deixo um grande obrigado pela partilha de grandes momentos. Levo-os comigo além fronteiras e não pago excesso de carga por eles, como pago pela prancha.

Gracias a la vida, que me ha dado tanto…
Violeta Parra

 

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