Kit de Viagem

refeição na tailandia

Notas soltas desde a Tailândia

A meu ver, o problema principal do voluntariado é a falta de organização de um grupo de pessoas que se uniu por uma causa ou situação ou então a falta de recursos para ser organizado. A minha organização sofre deste mal. Além de serem por natureza complicados e haver aqui e ali uma nítida falta de comunicação não há recursos suficientes para organizar tudo como deve ser. E por recursos quero dizer pessoas, pessoas com tempo para olhar para o que está a acontecer. A maioria dos voluntários da escola tem tempo livre durante o dia, fim de semana livre, tudo tempo para preparar as aulas, pensar em actividades etc Os que trabalham no orfanato estão lá a quase 100%, se não se põem a pau acabam por trabalhar sete dias por semana. Se houvesse gente suficiente esta situação não seria recorrente. A directora da escola e a directora do orfanato mal vêem o que se passa pura e simplesmente por se responsabilizarem por mais do que são capazes. Parece uma bomba prestes a explodir…

Após viver sozinha, no meu apartamento, com as minhas coisas, confesso que estou a ter dificuldades em partilhar uma casa com quatro mulheres. Nos tempos de estudante quando partilhei um apartamento havia sempre um ou dois rapazes que ajudavam a pôr as coisas em perspectiva. Cinco mulheres juntas numa única casa, quando há pouco em comum é uma péssima ideia. Duas inquilinas já estão a olhar-me de lado porque uso ironia o tempo todo e elas nem sempre percebem. Há silêncios interessantes de vez em quando. A terceira inquilina tem muito pouco inglês e confesso que só por raras vezes é que sei do que está a falar. A quarta acaba de voltar de férias e não diz mais do que “bom dia” e “boa noite”. Até agora estou admirada com a minha paciência, vamos lá ver.

Assisti à minha primeira tempestade. Como não tenho televisão ou internet em casa não estava nada à espera mas depressa me apercebi que algo estava para acontecer. Primeiro pelas três e meia começou a ficar fresco, pelas quatro estava uma bela temperatura a rondar os vinte graus e uma brisa fresca. Só podia chover. Uma hora ou uma hora e meia depois o céu ganhou uma cor estranha. As nuvens eram cinzentas escuras mas em vez de ficar escuro ficou muito brilhante, uma luz forte como um holofote apontado à casa. Se isto fosse em Hollywood teríamos uma nave extraterrestre, sem dúvida. Saí da rede onde estava instalada há mais de uma hora sem fazer nenhum e fui tentar ver o céu sem copas de árvores por perto. Eis que começa a chover. Devagarinho mas logo forte o suficiente para os cães vadios e eu desatarmos a correr. A trovoada chegou logo depois. Os relâmpagos nunca me pareceram tão perto e tão grandes, os trovões chegaram a fazer tremer as portas da casa. E assim continuou durante mais de três horas. Mal a tempestade acalmou os pássaros ficaram todos malucos fazendo tanto barulho que mal conseguia ouvir o filme que estava a ver. Depois os insectos começaram a entrar para dentro de casa, às dezenas. Eram tantos que mesmo não querendo acabei por pisar alguns. Acabei por me refugiar no quarto, a janela tem uma rede. Pensei em dormir mas os sapos tinham outras ideias, ofereceram-me um concerto gratuito que durou até o sol nascer. Acho espantoso que a minha primeira tempestade tenha surgido no primeiro fim de semana em que tinha a casa só para mim. No dia seguinte o cenário repetiu-se só que não estava sozinha em casa e faltou a luz das oito da noite até às quatro da manhã. Experimentem ler A viagem do elefante com uma lanterna, é desesperante.

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