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Créditos de vida
Mais do que as fotos de paisagens inacreditáveis, dos filmes de ondas perfeitas ou dos e-mails de pessoas que conheci, o extracto do mês de Março fez-me recordar aqueles momentos banais de sobrevivência, pequenas coisas do dia-a-dia de um viajante que acabam por ser a essência de qualquer viagem.
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Tudo na mesma
Acordo com uma mão no ombro que me pede para endireitar as costas da cadeira para a aterragem. A última vez que tinha olhado para o pequeno monitor, o mapa indicava que estávamos algures sobre o Médio Oriente.
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Vida simples
Faço uma última surfada numas esquerdinhas de meio metro em Narrabeen e nessa noite janto no Tailandês de Bondi Beach com a Xica, o Hamish e uns amigos. Arrumo as pranchas no saco e passo o fim-de-semana a visitar a cidade e a ver futebol com os vizinhos.
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Bichinho traiçoeiro
Bichinho traiçoeiro este da tristeza, sempre a espreita de uma oportunidade para atacar. Pode ser qualquer coisa. Uma música, um filme, uma frase, um e-mail, uma recordação, uma paisagem, um olhar, uma cerveja a mais… qualquer coisa.
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Descanso em Byron Bay
Tenho que parar. Preciso relaxar um bocado, estender a toalha e dormir na praia, pegar outra vez no livro, não pensar no regresso e nos próximos meses em Portugal, relembrar os planos da volta ao mundo… e sonhar.
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Superbanco
Entro em Greenmount, porque me parece ser a secção mais fácil mas, ao fim de duas horas e nenhuma onda, chego à conclusão que tenho que as ir apanhar junto às pedras de Snaper Rocks. Não é fácil, nada fácil…
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Música no coração
Molko sentou-se num pequeno banco, acendeu um cigarro (numa clara provocação às regras) e ficou ali uns segundos, imóvel, a olhar para o chão. Depois levantou a cabeça, olhou para mim (ia jurar que ele olhou para mim) e, antes de começar a tocar, murmurou: “This is a song for the broken hearted.”
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Fim da estrada
Chego a pensar ficar mais tempo, trocar o bilhete de Londres por um para Santiago do Chile e subir a América latina como tinha planeado no início. Mas ainda não tenho coragem de desistir do que ficou em Portugal e parto da Nova Zelândia com alguma tristeza, com a sensação de quem deixa para trás a oportunidade de um recomeço.
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Filho adoptivo
Conversa puxa conversa, saio de lá com o número de telefone, morada e um convite para passar uns dias em família numa autêntica aldeia Maori. “Pungarehu, Surf Highway 45. Virar à esquerda a seguir à placa e subir o caminho de terra até ao fim”.
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SPA dos pobres
Passo quase uma hora à procura de um sítio para fazer uma massagem, mas todos os SPAs, hotéis e freelancers da cidade estão "booked for the day". Descubro um sítio meio manhoso mas é daqueles de massagens "completas" e não é bem isso que me apetece agora.
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Sozinho nas antípodas
Depois de adiar, ainda sem data marcada, o projecto da viagem de Volta ao Mundo, decido fácil e rapidamente sobre o destino das férias de cinco semanas que consegui negociar com a minha entidade patronal.
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Tempo de Viajar - O primeiro passo