Kit de Viagem

aviao em drake bay costa rica

Contra-relógio

Viajar de forma independente proporciona muitas experiências que nos fazem crescer como pessoas e desenvolver competências que vão muito para além do que, à partida, se pode imaginar. Entre outras coisas, acontece-nos aquilo que eu gosto de chamar de “efeito McGyver”.

De San Jose a Pavones: o efeito MacGyver a revelar-se na Costa Rica

9:45 – Acordo com o telefonema da Sra. Mayela. “André, já tive a confirmação da DHL. Os documentos serão entregues hoje, no máximo até às 14:00”. Peço-lhe para me ligar novamente mal cheguem, estarei no hotel à espera.

9:50 – Levanto-me, tomo um duche rápido e começo a (re)pensar nas alternativas. “No máximo até às 14:00… mas pode ser antes, claro. Depende da rota do estafeta. Até pode ser daqui a 5 minutos”.

10:10 – Arrumo as coisas para estar pronto para sair a qualquer momento. Telefono para a Tracopa, a empresa de autocarros que viaja para Golfito, a cidade mais próxima de Pavones. Pergunto os horários e tempo de viagem. “7:30 e 15:30. Mais ou menos 8 horas.”

10:20 – Pego no computador e vou ao lobby do 2º piso do decrépito Hotel Morazan, o sítio onde se apanha melhor a rede wireless. Verifico os horários dos voos da Sansa Regional para Golfito. 05:30, 11:00 e 13:00. 93 USD com taxas + 10 USD por cada prancha. Anoto os contactos telefónicos do balcão do aeroporto e do escritório de vendas no Passeo Colon. Vejo, novamente, as previsões de ondulação para Pavones.

10:40 – Decido ir para o Consulado e esperar lá o passaporte. Ligo à Sra. Mayela para avisar que vou a caminho mas ela está com outra chamada e não pode atender. Peço para lhe darem o recado.

pavones, costa rica

Pavones. A recompensa depois do contra-relógio.

 

10:50 – Desço para a recepção e pago a conta com o cartão de crédito. “Don André, ligaram para si agora mesmo. Tentei passar a chamada para o quarto mas já não o apanhei. Pediram para avisar que o seu passaporte já chegou.”

11:00 – Mando parar um táxi do outro lado da rua. Atravesso a correr, com a mochila às costas, as pranchas a tiracolo e a mala numa das mãos. O sinal fica verde e os carros apitam mas eu não quero nem saber. “Barrio México, por favor!”

11:10 – Vou no táxi a avaliar rapidamente as alternativas. “Quanto me cobraria para me levar ao aeroporto? E em quanto tempo chegaríamos?”. Se tentar o avião às 13:00 e não chegar a tempo ou não houver lugares (é uma avioneta que leva 10-12 pessoas), já dificilmente conseguirei voltar para trás a tempo de arranjar bilhete para o autocarro das 15:30. E, ainda que conseguisse, chegaria a Golfito às onze da noite. Teria que procurar um hotel para dormir e apanhar o autocarro para Pavones no dia seguinte.

11:20 – Chegamos ao Consulado. Peço ao taxista para me esperar dois minutos, que já lhe digo o que vamos fazer. A Sra. Mayela atende-me logo. Dá-me o passaporte para assinar e acabar de plastificar, pede-me para assinar um papel e, conforme me tinha prometido, dá-me uma cópia da factura do serviço de estafeta, que vou tentar meter no seguro. Antes que eu saia a correr, dá-me um abraço. Põe-me a mão primeiro na cabeça, depois no coração. “Que Deus te acompanhe e te traga muita sorte no resto da viagem”. Agradeço comovido e relembro-a para aguardar o meu postal da Austrália “lá para Setembro ou Outubro!”

11:30 – Entro novamente no táxi. Tenho que decidir no instinto, aeroporto ou terminal de autocarros? “Aeroporto, vamos! A que horas conseguimos estar lá?”. Depende do trânsito, mas o pior é sair de San José. Depois disso, se tudo correr bem, são 20 minutos. O meu condutor percebe o stress e é solidário comigo. Muda de faixa, apita, passa na via mais rápida da portagem.

12:10 – Aeroporto. Pago os 7.500 colones (15 USD) que o taxímetro marca e saio depressa do táxi. “Suerte!”, grita-me quando já vou a correr em direcção à gare.

12:15 – Gare da Sansa Regional. “Quero ir para Golfito às 13:00 mas ainda não tenho bilhete!”. Sim, há lugares. Ufa! Tento convencê-los a só me cobrarem uma prancha, já que vão no mesmo saco, mas não consigo.

12:30 – Bilhete na mão. Não tenho dinheiro quase nenhum e sei que em Pavones não há banco. Em Golfito, não vou ter tempo porque, segundo um guia que li e espero que esteja certo, o último autocarro para Pavones é às 15:00. Se não houver atrasos, o avião aterrará às 14:10. Corro para o terminal principal do aeroporto, onde há um banco onde posso fazer um Cash Advance, agora que já tenho “um documento de identificação original”.

12:45 – Volto ao terminal da Sansa à hora marcada para o embarque mas, aparentemente, o voo está atrasado.

Drale Bay, a Costa Rica

A pista de aterragem em Drake Bay, Costa Rica.

 

13:20 – Embarque. O avião é pequeníssimo, não se consegue sequer ficar de pé lá dentro! No que eu me fui meter… e sem Lexotans nem nada! O voo é demasiado agitado até chegarmos à costa, pelo meio de nuvens feias e com alguma chuva à mistura. Tento pensar em coisas boas e, de alguma forma, alivia-me dizer coisas positivas ao inglês que ainda vai com mais medo do que eu.

14:10 – Aproximação e aterragem emocionante na reduzida pista de Drake Bay, uma escala antes de Golfito, para deixar e recolher passageiros. Despegue 10 minutos depois em direcção a Golfito.

14:40 – Aterragem em Golfito, com 30 minutos de atraso. O primeiro taxista que me aparece pede-me 1.500 colones (3 USD) para me levar à paragem do autocarro para Pavones. Não sendo muito dinheiro, parece-me absurdamente caro e pergunto se não me leva por 1.000. Pousa a minha mala no chão e diz que então é melhor tentar apanhar outro táxi na rua. Assim faço, irritam-me estes gajos que se tentam aproveitar. O primeiro que mando parar não quer levar as pranchas dentro, diz que a polícia o multa… mas o que ele tem é medo de sujar as capas dos bancos, o azeiteiro! Passa outro logo a seguir. “500 colones. Sim, não se preocupe, temos tempo.”

14:55 – Paragem de autocarro para Pavones. Ainda não comi nem bebi nada o dia todo. Compro uma água e um pacote de biscoitos de qualquer coisa. Cinco minutos depois, religiosamente, o autocarro chega e enche rapidamente.

quarto em pavones, costa rica

O quarto da pizzaria até nem era nada mau!

 

17:00 – Depois de uma viagem massacrante, que inclui uma travessia de balsa, chego a Pavones. Preciso de um sítio para dormir. As duas primeiras cabinas onde vou perguntar estão lotadas. Outras duas, já têm o aviso na porta a dizer “No vacancy”. Já imaginava isto mas ainda não tinha tido oportunidade para me preocupar. Quando entra um swell, enche tudo rapidamente. E o swell começou ontem!

17:40 – Depois de ver outras duas cabinas bem foleiras que custavam 10 USD, encontro outras anexas a uma pizzaria. 15 USD, um bocado escura e não propriamente um exemplo de limpeza. Mas não posso adiar mais. Só me faltava, depois de tudo, não arranjar sítio para dormir. Fico. Peço uma vassoura, de forma a dar o toque à rapariga, que se disponibiliza de imediato para dar uma limpeza geral enquanto vou ao minimercado comprar inseticida contra mosquitos.

18:30 – Regresso. O quarto já tem melhor ar. A cama tem lençóis lavados e bem cuidados. O colchão parece-me razoável. Deito-me. Respiro fundo, sorrio com um ar de vitória e fecho os olhos para adormecer depressa. Até amanhã.

 
Planeie a sua viagem com estas ferramentas
Faça como eu! Estas são as ferramentas que utilizo no planeamento e preparação das minhas viagens. Ao utilizar os links abaixo, poderá ter alguns benefícios e, ao mesmo tempo, ajuda-me a manter o blog sem pagar nada mais por isso.
Pesquisar voos
Pesquise os seus voos num agregador como o Skyscanner ou o Momondo.
Alojamento
Reserve o seu hotel, hostel ou guesthouse no Booking ou no Airbnb.
Seguro de viagem
Não arrisque! Faça sempre um bom seguro de viagem com a World Nomads ou a Globelink.
Tours e bilhetes
Encontre um tour à sua medida e compre bilhetes para atracções no GetYourGuide ou no Viator.
Rent-a-car
Consiga os melhores preços de aluguer de carros na Rentalcars ou na Economy Car Rentals.
Cartões Bancários
Poupe nas taxas de levantamentos em viagem com os cartões Revolut ou N26.
WiFi e Internet Móvel
Tenha internet ilimitada em qualquer país do mundo com o Skyroam.

Siga-me no Instagram


,

No comments yet.

Deixe o seu comentário