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A ironia da hora tailândesa

Por mais que tente nunca vou ser capaz de explicar o que é viver na Ásia, viver na Tailândia de forma 100% comprensível para um ocidental. Da mesma forma é-me extremamente complicado explicar aos tailandeses e birmaneses como vivemos no ocidente, em Portugal.

Após quatro meses cá, sei que o meu pior inimigo é o filme americano. Não é tão mau como na Índia, onde a ideia de promuiscuidade ocidental está mais do que enraizada, mas algumas vezes dei por mim a agitar os braços como um moínho a desmoronar-se e suplicar:

– Mas isso é só nos filmes, juro!

Uma das primeiras coisas a que nos temos de habituar é que o tempo e as horas funcionam de forma diferente. Sim, estou a tentar explicar porque nunca sei em que dia da semana estou. Aliás, se quiser ser precisa, tenho de mencionar que na Tailândia não se vê as horas como no ocidente: existe manhã, tarde e noite mas cada parte correspondente no relógio tem duas formas de ser expressa, uma mais complicada que a outra. De manhã, até à uma, as horas são como no ocidente mas depois, da uma até às sete, basicamente dizem as horas como se fosse tudo uma da tarde: uma da tarde duas, uma da tarde três, uma da tarde quatro, etc. Depois o mesmo com as sete: sete da noite oito, sete da noite nove… É complicado. Mas nada comparado com a forma informal de dizer as horas, eu pedi para pararem de me explicar quando me disseram que nove da noite dito na rua, em qualquer situação não formal é:

– São três horas da noite.

Tentar perceber este sistema com uma tailândesa que mal falava ingles e depois com uma inglesa com tailandês fluente, foi mais complicado do que ter aulas de latim aos sábados de manhã.

É engraçado como viver noutro país nos torna mais humildes, seja por que não percebemos o que se está a passar ou – na maioria dos casos – por que parecemos estúpidos quando um local nos tenta explicar algo muito básico da sua cultura.

É quase impossível explicar a ironia desta precisão a dizer as horas quando a maioria das pessoas não funciona com uma noção de futuro ou de tempo igual à dos ocidentais. Até perguntar se a encomenda chega no dia x ou se a ligação telefónica funciona é uma aventura. Nunca se sabe quando chega e o “volte amanhã” pode ser repetido durante semanas seguidas. E, no entanto, sabem dizer as horas de duas formas diferentes… e com um sorriso enorme!

Sempre que marcarem alguma coisa na Tailândia peçam o equivalente em horas ocidentais, só para ter a certeza.

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